Portugal está a passar por uma fase bastante difícil a nível económico e social. Uma situação que se arrasta há anos ou mesmo décadas e que afeta os que antigamente se incluiam na classe alta e na classe média. Começamos a deixar de ter pessoas que se incluam na classe média e são cada vez mais as diferenças entre os ricos e os pobres. Desde os anos 90 que os portugueses se habituaram a consumir, comprar e a recorrer ao crédito, de forma fácil e rápida, arrastando muitos cidadãos para o endividamento por vários anos e mesmo décadas para adquirirem bens essenciais ou mesmo supérfluos. Tal espelha-se nas famílias portuguesas que, hoje em dia, veem a crise a bater-lhes à porta. Todos os dias aparecem novos casos de pessoas que por qualquer motivo, não têm forma de se sustentar. O desemprego, a acumulação de créditos, a reviravolta de uma qualquer situação na vida levam a que estas pessoas tenha de colocar de parte a vergonha e pedir ajuda.
É isto que leva a criação de inúmeras instituições que têm como principal objetivo ajudar os mais carenciados. A cidade de Vila Real não é exceção, e para além de todas as paroquias que já possuem uma componente de ajuda aos que mais precisam, em 2006 a Câmara Municipal concebeu um projeto com objetivos sociais. Uma instituição que pretende apoiar os idosos, as famílias numerosas e as pessoas mais carenciadas. “Mais próxima de quem precisa” é o lema do programa “Câmara Amiga”, uma iniciativa, na área social, desta autarquia, que integra o Banco de Voluntariado e Doação de Bens, a Unidade Móvel de Saúde e a Oficina Domiciliária, três serviços que visam apoiar os munícipes numa lógica de proximidade e de serviço público. Assim, todos os cidadão com 65 anos ou mais, que residam no concelho há mais de 5 anos, usufruem de benefícios em certas atividades que  a câmara tem ao seu dispor; já na oficina domiciliária, muitas pessoas são ajudas em obras de restauro nas suas habitações; com a unidade móvel de saúde, muitos indivíduos têm  ao seu dispor cuidados de enfermagem, sendo que esta unidade se descola à área de residência da população em questão; com o cartão municipal de famílias numerosas, quem tiver três ou mais filhos, tem certos privilégios, como: reduções na taxa de água, de saneamento e em algumas empresas privadas de transportes coletivos; e por fim no banco de voluntariado são doados bens para os mais carenciados.
São este tipo de projetos que ajudam muitas pessoas a sobreviver e a encontrar de novo um objetivo de vida. Todavia quem considera que estas instituições se resumem a presentear quem mais precisa com produtos, conseguidos de forma fácil, desengane-se. Estas entidades contam com o trabalho de inúmeros voluntários que deixam o conforto do seu lar, para dar a quem mais precisa um pouco de aconchego. Nesta altura do ano somos confrontados com pedidos de ajudas de muitas organizações. Um saco de arroz, um litro de leite, uma lata de atum… Pode parecer pouco, mas para quem não tem nada é uma grande ajuda. “Fazemos esta iniciativa há muito tempo e sendo nós da área social, estamos mais sensíveis a esta situação e queremos dar o nosso contributo, não só em géneros mas também fazendo voluntariado como nesta situação de recolha de bens alimentares para as famílias mais carenciadas. A dificuldade em ajudar os outros acresce sempre porque também cada vez temos mais procura, por isso por muitos alimentos que consigamos recolher, são sempre insuficientes. Todos os anos a procura pelo nosso apoio cresce. Recolhemos bens alimentares agora no Natal mas chegamos por volta da época da Páscoa e já estamos a precisar de mais reservas alimentares. Por ano precisamos de fazer cerca de três recolhas. Há muita carência, e isso mostra que a situação dos vila-realenses está a piorar. Há muitas famílias que viviam bem até agora mas depararam-se com situações de desemprego e recorrem ao nosso auxílio. É muito gratificante quando sabemos que estamos a ajudar alguém, por mais pequena que seja essa ajuda”, disse Gilberta Carvalho, Assistente Social da Câmara Municipal de Vila Real.
Há todo um trabalho por detrás desta ajuda, um trabalho que depende da boa vontade de pessoas que ajudam outras sem pedir nada em troca. Ser voluntário é esforçar-se em causas de importância social e comunitária, e assim favorecer a qualidade de vida da sociedade. O trabalho de voluntariado é prestar um serviço ou trabalho, sem qualquer tipo de remuneração ou qualquer outro lucro.  No ano em que se comemora o Ano Europeu do Voluntariado (AEV), muitos são os que gostam de ajudar, tendo “o nosso país imensos voluntários”, contou Cátia Ribeiro, voluntária da Câmara Amiga. O ano Europeu do Voluntariado pretende louvar a promessa de milhões de voluntários europeus que, nos tempos livres, trabalham de forma gratuita nas suas comunidades. “Atualmente o voluntariado é muito importante. É o trabalho voluntário que faz com que muitas instituições funcionem, ajudando quem mais precisa, uma vez que a crise em que vivemos não permite que as instituições contratem mais pessoas para trabalharem, daí o voluntariado ser fundamental”, referiu Cátia. “Ser-se voluntário é das melhores coisas. É muito bom sabermos que é pela nossa mão que as pessoas recebem a ajuda, e nesse momento vermos um sorriso no rosto de quem mais precisa. É fantástico saber que para aqueles dias vai haver comida na mesa. Comecei a dar valor a coisas que não dava, por exemplo no desperdício da comida, valorizar mais aquilo que tenho, nomeadamente a comida e a roupa. Tudo isto são coisas que para quem nunca precisou, é muito bom pensar, para darmos mais valor ao que temos”, acrescentou.
O AEV é também um desafio para os três quartos da população europeia que não participam em qualquer atividade de voluntariado. Assim, podem compreender que também podem fazer a diferença, sendo um  “ombro amigo” para que este natal possa ser vivido com um pouco mais de felicidade, tanto por parte de quem recebe ajuda, mas igualmente para  as pessoas que ajudam.