Nascida a 1 de maio de 1987, na localidade de Bisalhães, em Vila Real, Cátia Ribeiros licenciou-se em Educação Social no Instituto Politécnico de Bragança. Desde cedo se mostrou interesse no voluntariado, mas foi por não encontrar emprego que enveredou por este caminho. É uma das muitas voluntárias da Câmara Amiga, que diariamente ajuda dezenas de famílias em Vila Real. Mas o que leva uma jovem de 24 anos a oferecer o seu tempo livre aos outros? O InfoBlog foi descobrir.

InfoBlog: O que a levou a ser voluntária?
Cátia Ribeiro: O que me levou a ser voluntária foi o facto de estar desempregada. Terminei a licenciatura em julho de 2010 e passado um mês procurei saber quais as instituições onde se podia fazer voluntariado, e aí apareceu a Câmara Amiga – Banco de voluntariado e doação de bens.

IB: Há quanto tempo és voluntária?
CR: Desde agosto de 2010.

IB: Qual a importância do voluntariado nos dias atuais?
CR: Atualmente o voluntariado é muito importante. É o trabalho voluntário que faz com que muitas instituições funcionem, ajudando quem mais precisa, uma vez que a crise em que vivemos não permite que as instituições contratem mais pessoas para trabalharem, daí o voluntariado ser fundamental.

IB: Há características essenciais para quem quer ser voluntário?
CR: Sim, o voluntário tem que ser uma pessoa que esteja disponível para oferecer o seu tempo livre aos outros, tem que ser uma pessoa com espírito de equipa, capaz de não ter medo de “sujar as mãos”, ou seja, fazer o que for preciso para o bom funcionamento da instituição, e acima de tudo capaz de cumprir o seu compromisso com a instituição e com a população que se propõe ajudar.

IB: Quais as vantagens e desvantagens em ser-se voluntário?
CR: Até ao momento ainda não encontrei desvantagens! Mas já encontrei muitas vantagens, o facto de ajudar quem precisa é para mim a principal vantagem, sentir-me útil para a sociedade em que vivo, a interação com as pessoas, conhecer mais voluntários, o conhecimento da verdadeira realidade em que Vila Real vive… Quero dizer com isto que antes de ser voluntária não fazia ideia que haviam tantas famílias carenciadas no nosso concelho.

IB: Qual a importância deste trabalho na nossa sociedade?
CR: Na minha opinião é muito bom mesmo, mas tenho a perfeita noção que por vezes não é muito valorizado. Mas é de facto fundamental, e é muito bom para quem o faz, enriquece-me como pessoa, sinto que tenho mais valor. As recolhas alimentares são feitas por voluntários, os cabazes de alimentos e vestuário são feitos por voluntários, tudo é feito por nós.

IB: O que é preciso para se ser voluntário?
CR: É preciso vontade acima de tudo, e algum tempo.

IB: Existe alguma formação que os voluntários devem fazer?
CR: Sim, existe. Mas aqui em Vila Real ainda não houve, era muito bom que no futuro fosse possível frequentar essa formação, por exemplo, o curso de iniciação de voluntário ou o de voluntariado internacional.

IB: Em momentos de crise, há muita pessoas interessadas em ser voluntário?
CR: Ainda há bastante gente que gosta de ajudar, até porque o nosso país tem imensos voluntários. Depois também há a crise de valores, que faz com que as pessoas não se interessem muito por este campo.

IB: Que sensação tens quando ajudas outras pessoas?
CR: É das melhores que já tive, é muito bom sabermos que é pela nossa mão que as pessoas recebem a ajuda, e que nesse momento vimos um sorriso no rosto de quem mais precisa. É fantástico saber que para aqueles dias vai haver comida na mesa.

IB: O que mudou na tu vida depois de te teres tornado voluntária?
CR: Mudaram algumas coisas, comecei a dar valor a coisas que não dava, por exemplo no desperdício da comida, valorizar mais aquilo que tenho, nomeadamente a comida e a roupa. Tudo isto são coisas que para quem nunca precisou, é muito bom pensar, dar mais valor ao que temos.

IB: O que ganhaste com o voluntariado?
CR: Ganhei alguma experiência, ganhei muitos sorrisos, ganhei amigos, esta experiência tem feito de mim uma pessoa melhor.

IB: Quais são as tuas expectativas quanto ao futuro do trabalho de voluntariado?
CR: Neste momento são boas, as necessidades aumentam e os voluntários também deviam aumentar, e é bem provável que isso aconteça porque atualmente há mais informação sobre o que realmente é fazer voluntariado. Em contrapartida é difícil fazer com que as pessoas entendam que ser voluntário é trabalhar em prol dos outros sem receber dinheiro em troca, mas recebendo o sorriso e o bem-estar dos outros.

IB: “Fazer voluntariado vale a pena não só para eles, como para
nós, e também para os outros, mas acabamos por ganhar muito com isso.” Comenta esta frase.
CR: Em algumas respostas já tinha realçado esta ideia, pelo facto de ganhar imenso com a experiência de ser voluntária. Vale sempre a pena pela experiência de ajudar o outro, e o facto de sentirmos que com o nosso tempo e boa vontade ajudamos a sua vida a ser um pouco melhor, recebendo em troca um sorriso.