Portugal está a passar por uma fase bastante difícil a nível económico e social, situação que se arrasta há anos e que se tem agravado bastante nos últimos meses. Tal como acontece há algum tempo, os portugueses perderam poder de compra face aos restantes europeus e teme-se que a situação piore. Com a entrada do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) em Portugal para nos ajudarem a combater esta crise, Portugal teve de adotar muitas medidas para diminuir as despesas.

Desde os anos 90 que os portugueses se acostumaram a consumir e a recorrer ao crédito, de forma fácil e rápida, arrastando muitos cidadãos para o endividamento por vários anos e mesmo décadas para adquirirem bens essenciais ou mesmo supérfluos. À semelhança do seu povo, o nosso país viveu bem acima da riqueza gerada e, assim, Portugal viu-se severamente castigado nos mercados internacionais, o que levou ao pedido de ajuda internacional. Tal reflete-se nas famílias portuguesas que, hoje em dia, veem a crise a bater-lhes à porta o que se agrava com a perda de poder de compra devido à perda do 13º e 14º meses, aumento das horas de trabalho e crédito bancário muito complicado. Estas são só algumas das consequências das medidas tomadas para combater a crise que o país enfrenta.

Contudo, será que na altura do Natal os portugueses esquecem a crise ou preocupam-se ainda mais em não gastar muito dinheiro, tentando poupar ao máximo? Daniela Mesquita, lojista no estabelecimento Bershka, no Centro Comercial Dolce Vita Douro, afirma que as pessoas estão mais cuidadosas na altura de comprar, comprando cada vez mais “nota-se uma quebra muito grande nas vendas. As pessoas vêm na mesma à loja mas já não compram tanto como compravam. Primeiro ainda compravam um conjunto: um casaco, uma calça e uma t-shirt e agora optam só por uma peça. Este ano já começamos a ver pessoas a comprar prendas de Natal mais cedo, mas compram prendas muito mais básicas”. Catarina Teixeira, consumidora diz que vai apenas comprar “o que é preciso. Os bens fúteis vão ser cortados. Em vez de comprarmos uma Barbie a uma criança que já tem muitas, compramos uma peça de roupa que lhe faça falta. Deixa-se de ter como empresas alvo as de marcas e passa-se para a linha branca, é o que toda a gente faz agora. Temos de pensar antes de agir”.

Apesar do Centro Comercial se encontrar apinhado, muitos aproveitam apenas para comparar preços e na hora da compra optam por presentes baratos e úteis. “Já se veem algumas pessoas a fazerem compras de Natal mas no ano passado começaram mais cedo. Mas as que compram, compram apenas lembranças e artigos mais baratos”, referiu um lojista do Shopping de Vila Real que preferiu manter o anonimato. Muitos são os que se vão controlar nos gastos e comprar apenas lembranças para as crianças. “Está tudo muito mais caro e tanto eu como o meu marido tivemos cortes no subsídio de natal. Se calhar só vou fazer compras para as crianças ou só mesmo para os meus filhos”, confessou Cristina Soares, uma das muitas pessoas que passeava pelo Centro Comercial.

A maior parte das pessoas acabou por afirmar que se vão controlar nos gastos, pois o ano de 2011 foi bastante difícil a nível económico e 2012 prevê-se ainda pior. Outra consumidora, Filomena Vieira proferiu que só vai dar prendas aos filhos. “Não vou gastar mais do que aquilo que tenho”, adicionou.

Apesar do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, esperar que Portugal saia da crise em 2013, tudo depende, não só do nosso país, mas também da economia europeia e mundial. Todavia, 2013 não passa de uma miragem no nosso horizonte e os portugueses sentem o efeito da crise económica aqui e agora e vão ser prudentes na hora de gastar dinheiro.