Os Bombeiros Voluntários da Cruz Verde comemoram 120 anos de existência e, por isso, para além de muitos outros eventos, dispõem de uma exposição móvel intitulada “Memórias dos Bombeiros Voluntários: nos 120 anos dos Bombeiros Voluntários de Vila Real – Cruz Verde”. Esta apresentação encontra-se patente na Biblioteca Municipal de Vila Real até 30 de novembro.
Fotografias, filmes e algumas memórias estiveram já visíveis no Museu do Som e da Imagem, no Teatro Municipal, no Museu de Numismática e estão agora expostos na Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira, a sua terceira morada.
Esta exposição, que foi visitada por mais de 500 crianças, tem como objetivo “sensibilizar escolas primárias”, diz Miguel Fonseca Comandante dos Bombeiros da Cruz Verde. “Estamos a fazer um trabalho muito próximo com as escolas primárias do nosso concelho e tem havido muitas visitas, inclusivamente nós fazemos algumas ações de formação para alimentar essa exposição com as próprias escolas primárias do nosso concelho. Paralelamente a isso fazemos ações de formação e sensibilização: mostramos os nossos equipamentos e algumas técnicas que nós desenvolvemos. Não posso garantir o número, mas já quase todas as escolas, ou por um ponto ou outro já passaram por esta exposição”, acrescentou.
O primeiro corpo de bombeiros do concelho de Vila Real e o terceiro do distrito foi fundado oficialmente a 1 de janeiro de 1891, por Avelino Patena e enfrenta, tal como o resto do país, problemas financeiros. “Os bombeiros já vivem a crise há muitos anos. As pessoas não têm noção de como os bombeiros funcionam. Têm a ideia totalmente errada que os bombeiros são praticamente subsidiados pelo Estado e isso é completamente mentira. Os bombeiros recebem o subsídio das ações que fazem. E quando falamos de Estado, não falamos do Estado Central, falamos de governos e de câmaras municipais que, se formos a ver, têm um peso muito maior. No caso da Câmara Municipal de Vila Real, não temos razão de queixa. Realmente, dentro do que lhes é possível, ajudam. Mas se me perguntar se chega, logicamente que não. Temos que garantir o equipamento de proteção individual para todos os bombeiros. E esta casa tem equipamento de bombeiros operacionais que são perto de 120. Estamos a falar de fatos para intervenções especiais, para incêndios urbanos, incêndios florestais e que com o simples uso se vai desgastando. Nós gastamos cerca de 10 mil euros só em fardamento anual”, afirmou Miguel Fonseca.
A maior parte das corporações são financiadas pelos sócios e sobretudo pelo serviço de transporte de doentes que, tal como relata o Comandante “está a decair de uma forma preocupante”. Todavia, e apesar da crise, estas organizações humanitárias têm obrigação de prestar socorro e apoiar as populações, não podendo simplesmente fechar as portas como a maioria das empresas.