Acordo Ortográfico (AO) gera desacordo entre alunos da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Esta semana, os alunos do Departamento de Letras, Artes e Comunicação (DLAC) foram surpreendidos pela afixação de cartazes manifestando o descontentamento sentido face à aplicação do novo AO.
No ano letivo de 2011/2012, vai entrar em vigor o novo AO, seguindo o que foi decretado pelo Ministério da Educação. Já as novas regras do mesmo só serão obrigatórias a partir do próximo ano letivo de 2013/2014.
Apesar de a Professora Felicidade Morais achar que “todas as formas de protesto são válidas”, acredita que este protesto “não deve ter partido dos Cursos de Letras”. Lamentando ainda que “nos cartazes haja algumas informações que revelem falta de conhecimento do que está em causa (exemplo: a norma brasileira), mostrando desconhecimento das imposições que são obrigatórias, como o caso de “facto” que pode ser em grafia dupla”.
Segundo o Professor José Belo, o protesto “é uma forma que não é intrusiva na medida em que não se agride fisicamente ninguém, expressa apenas uma opinião”, salientando que, num primeiro momento, foi favorável ao acordo, estando agora em desacordo, logo apoia aquele ponto de vista. Porém, salienta que para ser contra o acordo “é necessário muito mais do que cartazes. Qualquer língua não se regula nem funciona através de acordos”. O Professor dá o exemplo da língua inglesa: “é uma língua que não necessita de acordos e é a mais falada no mundo. No Reino Unido, na América, no Canadá, na África do Sul e na Austrália o inglês é a língua materna sem acordo, tal como acontece com o espanhol”. Remata afirmando que “o acordo é de ordem económica”.
A discordância dos alunos relativamente ao AO assenta no facto de estarem “habituados a escrever desta forma”, considera o Professor Álvaro Cairrão. “Do ponto de vista do facilitismo, estaria melhor como está, pois tudo o que é mudança causa transtorno às pessoas”, conclui o docente.
Já a aluna cabo-verdiana Célia Almeida mostrou-se a favor em alguns aspetos do acordo, mas considera que “era necessário mudar algumas palavras”, ideia partilhada pelo aluno Manuel Tapada que sustenta que a “única mudança é visual”.
A comunidade académica encontra-se dividida no que respeita ao AO, porém muitos professores concordam com esta forma de protesto. O docente Galvão Meirinhos afirma mesmo que “não devia ser só naqueles vidros, mas nos vidros de toda a universidade”.
Apesar de não haver conformidade a respeito do AO, esta forma de protesto tem suscitado grande curiosidade por toda a comunidade que frequenta o Complexo Pedagógico.

Por: Madalena Silva, Sandra Martins e Sofia Brum