Infelizmente acho que a nossa sociedade é definida pelas questões de natureza política e, principalmente, por questões económicas. As questões éticas são tudo menos uma prioridade para a política e para a nossa sociedade, embora sejam indissociáveis e estejam intrinsecamente relacionadas, tendem a ser ignoradas.
O que importa neste mundo é o concreto, enquanto os valores, como não são algo concreto, passam para segundo plano e muitas vezes são esquecidos. O que nos preocupa é o que existe de facto e o que nos afeta: a crise, por exemplo. A ética? Essa é diferente de pessoa para pessoa e os valores que eu considero importantes podem não ser importantes para outros, logo não afeta os outros e, assim, não é uma preocupação global.
Um exemplo claro do referido pode ser o referendo sobre o aborto. A verdade é que a maioria das pessoas não votou. Ou seja, não estão minimamente interessados nestes assuntos que podem ser chamados de éticos. Porém, em relação à crise todos têm uma opinião pronta e formulada.
A sociedade de hoje é de facto uma sociedade de solidão. Temos cada vez mais meios de comunicação que utilizamos de forma negativa. Em vez de utilizarmos, por exemplo, as redes sociais como uma forma de socializar, utilizamo-las para nos afastarmos cada vez dos outros e dos valores. Trata-se de um paradoxo, uma vez que se temos mais meios de comunicação deveríamos preocupar-nos com questões realmente importantes, como são as questões éticas, e “desenvolver” estas problemáticas que se encontram “adormecidas” na nossa sociedade, sendo apenas pontualmente recordadas.
Em relação ao ambiente, só posso dizer que estamos a colocá-lo no mesmo saco: ou seja, o ambiente não afeta diretamente a economia e todo o mal que fazemos não se verifica no imediato, logo não nos preocupa. Por exemplo, até há bem pouco tempo o aquecimento global e o buraco do ozono eram quase temas tabus, sendo os cientistas reputados de “extremistas”. Só recentemente se começou a falar mais no ambiente e, sobretudo, devido aos recursos energéticos – algo que afeca a economia. Já nos começamos a preocupar, mas há ainda muito trabalho para fazer.
Não basta preocuparmo-nos amanhã, pois amanhã pode já ser tarde de mais, para resolver os problemas que todos pensávamos que tínhamos tempo de resolver no futuro.