Quando era pequena e me perguntavam o que queria ser, respondia sempre: “jornalista”. Hoje em dia, quando me perguntam o que quero fazer da vida, digo: “arranjar emprego”. Pois é, infelizmente vivo num país onde quem tem emprego é um sortudo. Já nem peço um emprego bem renumerado, com um bom horário de trabalho… Não, eu peço apenas um emprego, onde no final do mês, por pouco que seja, tenha algum dinheiro e não passe todos os dias pela humilhação de pedir aos meus pais. Eles dão-me tudo, é verdade, mas chegamos a uma altura da vida em que temos a necessidade de comprar as nossas coisas e não vamos pedir aos nossos pais dinheiro para coisas supérfluas, afinal de contas eles vivem no mesmo país que nós.

O que me revolta ainda mais é ouvir da boca de certas pessoas a famosa frase: “os jovens não querem trabalhar”. Essa não é a realidade, pois se os jovens não quisessem trabalhar, não se sujeitavam a trabalhar a recibos verdes, ou em empregos em que se ganha 2,17€ por hora, ou mesmo a trabalhar 9 ou 10 horas ganhando apenas o ordenado mínimo. Eu sinceramente por vezes pergunto-me: “para quê estudar?” Tenho amigos com o 9º ano que têm um emprego fixo, têm uma família formada e recebem um salário superior a muitos licenciados e eu o que tenho? Uma licenciatura, da qual me orgulho muito, mas que no final, de pouco me vale. Sempre que vou a um casamento de um desses amigos sinto vergonha. Porquê? Porque apesar de ser mais qualificada, não tenho dinheiro nem perspetivas profissionais ou familiares. Nesses casamentos, penso sempre: “vou ficar para tia”. Eu até gostava de casar ou viver com o meu namorado, mas e depois? Continuo a pedir dinheiro aos meus pais para me pagarem a renda?

Outra das questões que deveria deixar todos os Portugueses envergonhados é o facto de serem muitas as empresas que se aproveitam dos estágios pedagógicos. No início do estágio ouvimos sempre a célebre frase: “se gostarmos do teu trabalho, convidar-te-emos para fazeres parte da nossa equipa”. Os nossos jovens licenciados ou saem muito mal preparados das universidades, ou então são todos incompetentes, porque é uma minoria que consegue continuar na empresa onde fez o estágio.

Afinal de contas qual é o problema do nosso país? Na Alemanha ou na Suíça, os jovens da minha idade, têm um emprego. Estudaram e seguiram uma certa área e hoje em dia trabalham nessa área para o qual estão devidamente preparados. Ao contrário de Portugal, onde os licenciados trabalham em lojas de roupas ou cafés e os filhos de “alguém” ocupam cargos importantes nas câmaras municipais, por exemplo. Parece que o estrangeiro continua a ser a única solução para quem quer ter sucesso e ver as suas capacidades reconhecidas. Sinto-me triste por viver numa sociedade, onde os que mais se esforçam, os que mais estudam e os que mais investem na formação são tratados como lixo.