Nascida a 18 de dezembro de 1974, na localidade de Sabroso, freguesia de Folhadela, Elvira Azevedo licenciou-se em Engenharia Florestal na Escola Superior Agrária Bragança (ESAB). Apesar de nunca ter tido interesse em entrar para a política, assumiu o cargo como Presidente da Junta após o então Presidente ter renunciado ao mesmo. Para além disso, exerce ainda funções como engenheira Florestal na empresa Associação Florestal do Vale do Douro Norte.
Engenheira, Presidente da Junta, mãe e mulher, Elvira desdobra o seu tempo entre os afazeres políticos, a atenção pedida pela sua filha de seis anos e o sonho de gerir uma associação ligada à ação social.

VIDA POLÍTICA
InfoBlog (IB) – Começou por apoiar a candidatura de um outro político a presidente da freguesia, mas poucos meses depois era a Elvira que estava no poder. Como surgiu esta oportunidade?
Elvira Azevedo (EA) – É verdade, eu entrei para a política apenas para ajudar uma lista a vencer as eleições. Pedi para que me colocassem no fim da lista (pois tinha sido mãe há quatro meses), porém dois meses antes das eleições colocaram-me em segundo lugar. A lista foi eleita, porém o Presidente da Junta renunciou ao mandato. Sendo eu o segundo elemento da lista eleita, assumi o cargo de Presidente da Junta.

IB – Sei que era a o número dois da lista eleita e que foi por isso que substituiu o Presidente anterior, mas foi por vontade própria ou por obrigação?
EA – As duas coisas. A maior parte das pessoas disseram que fui eu quem ganhou as eleições em 2005. Eu fui posta em número dois na lista em agosto de 2005, ou seja, a dois meses das eleições.

IB – Após essa experiência, candidatou-se em 2009 a Presidente da Junta? Porquê?
EA – Candidatei-me para continuar o trabalho, bastante satisfatório, desenvolvido há quatro anos. Tinha e ainda tenho vários objetivos que espero atingir durante este mandato.

IB – Ficou surpreendida quando foi eleita Presidente da Junta de freguesia em 2009?
EA – Não. Eu tinha e tenho quase toda a população ao meu lado. O ano de 2005 foi o virar de uma página na história da freguesia de Folhadela. O ano de 2009 foi a confirmação da satisfação da população.

IB – Qual foi a sensação que prevaleceu após ter ganho as eleições: alegria ou preocupação?
EA – Alegria e preocupação. A alegria porque é bom ser-se reconhecida pelas pessoas e confiarem no meu trabalho. Preocupação porque tenho uma grande desafio pela frente.

IB – É uma mulher bonita. Até que ponto a imagem pode ter contribuído para o seu sucesso eleitoral?
EA – Também contribuiu. A imagem, a simpatia, a simplicidade (características minhas) também são importantes para o sucesso.

IB – Tem receio de defraudar as expectativas das pessoas que confiaram em si?
EA – Não. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para não defraudar as expectativas de ninguém.

IB – É uma mulher ambiciosa na política, ou pelo menos parece. Até onde pretende chegar?
EA – Gostava de fazer três mandatos seguidos. Com esses três mandatos conseguiria atingir todos os meus objetivos. Tanto a nível de obras como em termos de ação social para a freguesia de Folhadela.

IB – O que tem a política assim de tão especial, para gostar de ser Presidente da Junta e se querer candidatar a um terceiro mandato?
EA – Não é a política que é especial, mas sim a vontade de fazer ainda mais pela população. Eu não me considero uma política. Mas é bom fazer uma obra e ver as pessoas contentes, ou quando alguém me vem pedir um favor, eu a poder ajudar.

IB – Se tivesse mais verbas o que faria de imediato pela freguesia?
EA – Sem dúvida nenhuma um lar e centro de dia para os idosos da freguesia.

IB – O que lhe dá mais prazer fazer como Presidente da Junta? Porquê?
EA – Fazer a ação social da Junta de Freguesia. Quando fazemos o passeio anual dos idosos e das crianças, é bom ver o sorriso das pessoas. Em 2009 fizemos um passeio de barco da Régua ao Pinhão. Alguns idosos chegaram a dizer: “Presidente já posso morrer pois nunca tinha andado de barco. Estou satisfeito”. Alguns idosos vão apenas passear com a Junta de Freguesia, ou seja, uma vez por ano.

IB – O que mais detesta fazer como Presidente da Junta? Porquê?
EA – Detesto quando alguém me pede um favor e eu não o posso fazer e tenho de dizer não. Também detesto ser criticada sem ter culpa. Algumas pessoas não percebem que por vezes não se consegue fazer tudo aquilo que se quer, pois não temos verbas financeiras.

VIDA PROFISSIONAL
IB – Em termos académicos qual foi o seu caminho?
EA – No ano de 1995 fui para Bragança tirar a licenciatura em Engenharia Florestal (que era na altura ainda de cinco anos). Com a licenciatura terminada, comecei no ano de 2001 a trabalhar na Associação Florestal do Vale do Douro Norte em Murça, onde continuo a trabalhar como técnica florestal. Trabalho nesta associação há dez anos. Esta foi a primeira e única entidade onde trabalhei.
Em 2002/2003 tirei uma pós-graduação em Gestão dos Recursos Florestais na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

IB – Em termos profissionais o que é que já fez?
EA – Tal como referi, trabalho na Associação Florestal do Vale do Douro Norte em Murça como técnica florestal. Elaboro projetos florestais, sou coordenadora de uma equipa de sapadores florestais, sou coordenadora de formação profissional, elaboro candidaturas a fundos comunitários e elaboro planos de gestão.


IB – Desde quando é que se começou a interessar-se pela política?
EA – Eu entrei para a política apenas para ajudar uma lista a ganhar as eleições. Na altura, como já disse anteriormente, pedi para que me colocassem no fim da lista, pois tinha sido mãe. Mas dois meses antes das eleições colocara-me na segunda posição da lista. Sinceramente não tinha muito interesse em entrar na política. Foi por um mero acaso e para ajudar a lista.

IB – Quais são os seus projetos futuros?
EA – Espero terminar o meu mestrado. E como Presidente da Junta pretendo constituir uma instituição de ação social para a população, na minha freguesia.

IB – Em termos profissionais, está a desempenhar aquilo em que sempre quis?
EA – Sem dúvida que sim.

IB – Onde espera estar daqui a 10 anos em termos profissionais?
EA – Espero estar a trabalhar para Vila Real e na minha área. Porém também gostava de estar a gerir uma associação ligada à ação social.

VIDA PESSOAL
IB – É do domínio público que a vida política exige muito dos seus elementos; até que ponto é que a política interferiu e interfere na sua vida pessoal?
EA – É verdade, a vida política faz com que se tenha menos tempo para nos dedicarmos à vida pessoal. Acabamos por não ter horário, não temos horas para nada nem dias da semana. Temos de estar 24 horas por dia, sete dias por semana disponíveis para resolver uma eventual situação que aconteça na freguesia.

IB – Já alguma vez pensou em abandonar a política em detrimento da vida pessoal?
EA – Sim. Pensei bastante no ano de 2009, aquando das eleições, se me candidatava ou não. Apesar de todas as coisas boas que já referi, por vezes também me senti mal, pois não é fácil ser mulher e jovem à frente de uma junta de freguesia. É complicado por vezes ter de enfrentar certas situações e com pessoas mais velhas.

IB – Como é que a sua filha a vê? Ela apercebe-se da importância que a mãe tem para a freguesia?
EA – A minha filha tem orgulho na mãe. Tem orgulho em ser filha da Presidente da Junta. Por vezes até diz “sou filha da Presidente da Junta de Folhadela”. Como ainda é muito pequena (só tem seis anos), também se aborrece em me acompanhar em certas situações.

IB – A sua filha já alguma vez lhe disse para “abandonar” a política? Ou seja, se ela já alguma vez disse: mãe não vá trabalhar hoje como Presidente da Junta. Se já aconteceu, em que situação foi?
EA – Já aconteceu. Principalmente quando tenho reuniões e ela tem de ficar com a minha mãe.

IB – Se pudesse realizar um qualquer desejo, qual seria?
EA – Para não falar no euro milhões, gostava de ser mãe novamente.