A maioria das revistas que se encontram nas bancas têm qualquer extra a oferecer ao leitor(a). No entanto, será que esses brindes/extras têm ainda poder, aquando da escolha da revista?
Num artigo desenvolvido por Ana Marcela defende-se que “no segmento das femininas mensais, o título que não desenvolver uma correcta política de ofertas e produtos associados corre o risco de ser banido do mercado. Isto porque todos os títulos o fazem e as próprias consumidoras têm essa variável já enraizada no processo de decisão de compra”.
Hoje em dia a maioria das revistas ditas cor-de-rosa têm ofertas e produtos associados que constituem parte de uma ferramenta inevitável no processo de marketing da revista. Numa sociedade caracterizada pelo consumismo, esta situação leva a que muitas mulheres comprem uma determinada revista em função da outra, por causa do brinde. Até porque muitos dos extras que são oferecidos têm alguma característica que os distingue: das coisas banais que podemos encontrar em qualquer supermercado, muitas optam pela estratégia de oferecerem artigos assinados por estilistas conhecidos. Numa altura de crise, poucas são as leitoras que poderiam comprar um artigo destes. Mais, mesmo quando estes extras não são oferecidos, ou seja, apesar de serem parte integrante das revistas, temos a possibilidade pagar e ficar com eles, ou não, muitas são as mulheres que preferem pagar um pouco mais e receberem este brinde, pois acreditam que o valor pago é simbólico. Crêem que se comprassem esse produto, numa qualquer loja, o preço a pagar seria muito maior. Juntam assim o útil ao agradável, compraram a revista e ainda recebem um extra.
No mesmo artigo de Ana Marcela, é defendido que “hoje em dia estamos perante um cenário diferente, quase todas as revistas do segmento feminino fazem ofertas de capa de uma forma regular fazendo com que as leitoras as assumam como parte integrante das revistas. Assim, estamos dependentes na maioria dos títulos desta ferramenta.
Existem revistas que, dado à sua notoriedade, não precisam de utilizar estas estratégias, pois possuem leitoras fiéis à marca e que apenas procuram a revista.
O facto de ser algo já esperado pelo público e se verificar uma massificação na oferta de brindes coloca desafios adicionais aos departamentos de marketing. Há que reunir todas as circunstâncias para que a aposta num brinde tenha realmente sucesso. Mais uma vez, no artigo de Ana Marcela diz-se que se considera “eficaz pois hoje é uma regra do mercado, ou seja, estamos dependentes das ofertas mas acreditamos que conseguimos criar diferenciação entre as publicações pelo tipo de brindes em que apostamos. O que fazemos mensalmente (…) é adequar a oferta/brinde à publicação de acordo com o seu posicionamento, mas também apostamos em brindes com maior qualidade que os apresentados pela concorrência – exemplo: qualidade, originalidade e diversidade dos materiais”.